Conectividade

Dois links de internet significam redundância?

DOIS LINKS SIGNIFICAM REDUNDÂNCIA? Parece seguro? Pois bem, nem sempre é. Vamos tratar nessa matéria pontos importantes que você precisa identificar na sua operação.

7 min de leituraPor AGI Telecom
Link dedicado com redundância efetiva para sua empresa não parar

Dois links de internet significam redundância?

Ter dois links de internet não significa, necessariamente, ter redundância.

Essa é uma confusão comum em ambientes empresariais. A empresa contrata dois provedores diferentes, instala dois circuitos e considera que está protegida contra indisponibilidades.

Na prática, porém, os dois links podem compartilhar diversos pontos da infraestrutura.

E basta que exista um único ponto de falha em comum para que os dois serviços fiquem indisponíveis ao mesmo tempo.

O que é redundância de internet?

Redundância significa eliminar ou reduzir pontos únicos de falha.

Em uma estrutura realmente redundante, a queda de um circuito, equipamento ou caminho físico não deve provocar automaticamente a interrupção do segundo link.

Isso significa que não basta analisar apenas quem fornece o serviço.

É necessário entender como cada conexão chega até a empresa.

Dois links podem ter nomes de provedores diferentes e, ainda assim, utilizar:

  • o mesmo poste;
  • o mesmo duto subterrâneo;
  • a mesma caixa de passagem;
  • a mesma rota de fibra óptica;
  • o mesmo prédio ou ponto de presença;
  • o mesmo fornecedor de transporte;
  • o mesmo equipamento de concentração;
  • ou até a mesma infraestrutura de upstream.

Nesses casos, a empresa possui dois contratos, mas pode continuar exposta a um único ponto de falha.

Dois provedores diferentes podem utilizar a mesma infraestrutura?

Sim.

Esse cenário é mais comum do que muitas empresas imaginam.

Operadoras e provedores podem comprar transporte, capacidade, fibras ou circuitos de outras empresas. Também podem utilizar estruturas físicas compartilhadas para chegar até determinada região.

Imagine, por exemplo, que a empresa tenha:

Link A — Provedor A

Link B — Provedor B

Comercialmente são dois fornecedores diferentes.

Porém, algumas centenas de metros antes de chegar ao cliente, os dois circuitos passam pelo mesmo duto.

Se uma obra romper esse duto, os dois links podem cair simultaneamente.

Do ponto de vista contratual existem dois fornecedores.

Do ponto de vista da disponibilidade, existe um único ponto de falha.

O problema do último quilômetro

Um dos pontos mais importantes em um projeto de redundância é o chamado último quilômetro, ou *last mile*.

É justamente o trecho que conecta a rede da operadora até o endereço do cliente.

Uma empresa pode contratar dois provedores com redes completamente independentes no backbone, mas os dois circuitos entrarem no prédio pelo mesmo poste, pela mesma rua ou pela mesma tubulação.

Nesse cenário, um acidente relativamente simples pode comprometer toda a estratégia de redundância.

Por isso, empresas que dependem fortemente de conectividade devem avaliar não apenas a redundância lógica, mas também a diversidade física das rotas.

Redundância física e redundância lógica são coisas diferentes

Uma boa arquitetura precisa considerar as duas.

Redundância física

Analisa o caminho utilizado pela infraestrutura.

Por exemplo:

  • rotas de fibra diferentes;
  • entradas diferentes no prédio;
  • caixas de passagem independentes;
  • equipamentos distintos;
  • pontos de presença diferentes.

Quanto menor o número de elementos compartilhados, maior tende a ser a independência entre os circuitos.

Redundância lógica

Já a redundância lógica determina como o tráfego será transferido de um link para outro em caso de falha.

Não adianta possuir dois circuitos fisicamente independentes se a troca entre eles depende de intervenção manual.

O ambiente pode utilizar tecnologias como:

  • failover automático;
  • roteamento dinâmico;
  • BGP;
  • SD-WAN;
  • políticas de roteamento;
  • monitoramento de disponibilidade.

A arquitetura ideal depende da necessidade e da criticidade de cada operação.

Ter dois links conectados ao mesmo roteador também merece atenção

Outro ponto frequentemente esquecido está dentro da própria empresa.

Imagine dois links totalmente independentes chegando ao cliente, mas ambos terminando no mesmo firewall ou roteador.

Se esse equipamento apresentar uma falha, os dois links deixam de ser úteis.

Em ambientes críticos, a análise de redundância também pode envolver:

  • roteadores;
  • firewalls;
  • switches;
  • fontes de alimentação;
  • nobreaks;
  • geradores;
  • interfaces ópticas;
  • servidores;
  • equipamentos de borda.

A redundância precisa ser analisada de ponta a ponta.

E se os dois links utilizarem o mesmo upstream?

Existe ainda outro nível de dependência.

Dois provedores distintos podem utilizar parte dos mesmos fornecedores de trânsito IP ou caminhos de saída para a internet.

Isso não significa necessariamente que o projeto esteja errado. Redes modernas naturalmente possuem diversos pontos de interconexão.

Mas, para operações de alta criticidade, é importante conhecer também a diversidade existente no backbone e nas rotas externas.

Quanto maior a dependência de um único componente, maior o impacto potencial caso esse componente apresente problemas.

Como saber se sua empresa possui redundância de verdade?

Antes de contratar um segundo link, algumas perguntas ajudam a entender melhor a arquitetura oferecida.

Pergunte ao provedor:

“Por onde esse link chega até minha empresa?”

E aprofunde:

  • A rota física é diferente do meu link principal?
  • Os dois circuitos utilizam o mesmo poste ou duto?
  • A entrada no prédio acontece por caminhos distintos?
  • Existe algum trecho de fibra compartilhado?
  • Os links terminam em pontos de presença diferentes?
  • Existe failover automático?
  • O provedor possui redundância de backbone?
  • Como funciona a conectividade em caso de rompimento de fibra?
  • Existe monitoramento 24 horas?
  • Qual é o SLA contratado?

Essas respostas ajudam a diferenciar simplesmente ter dois links de possuir uma arquitetura realmente preparada para continuidade.

Um segundo link não deve ser escolhido apenas pela velocidade

É comum comparar propostas utilizando principalmente dois critérios:

velocidade e preço.

Mas quando o objetivo é redundância, outro fator passa a ser fundamental:

independência.

Em determinadas operações, um segundo link de menor capacidade, mas utilizando uma rota completamente independente, pode ter muito mais valor para a continuidade do negócio do que outro link de alta velocidade compartilhando os mesmos pontos de falha.

A decisão deve considerar o impacto que uma indisponibilidade teria sobre a empresa.

Quanto custa ficar sem internet?

Para algumas empresas, uma interrupção significa apenas alguns minutos de inconveniência.

Para outras, pode signific:

  • vendas interrompidas;
  • sistemas indisponíveis;
  • máquinas sem comunicação;
  • telefonia fora do ar;
  • impossibilidade de acessar sistemas em nuvem;
  • equipes paradas;
  • perda de produtividade;
  • falha na comunicação com clientes;
  • impacto em operações críticas.

Por isso, redundância não deve ser tratada simplesmente como contratação de capacidade adicional.

Ela faz parte de uma estratégia de continuidade operacional.

Redundância começa pelo desenho da rede

Antes de contratar dois, três ou mais links, o ideal é entender quais são os pontos de falha existentes.

O projeto deve observar o caminho completo:

Internet → backbone → ponto de presença → fibra → entrada do prédio → equipamentos → rede interna.

Quanto mais crítica for a operação, mais importante se torna identificar dependências compartilhadas nesse caminho.

Afinal, dois links significam redundância?

Nem sempre.

Dois links representam duas conexões.

Redundância existe quando a arquitetura foi projetada para que a falha de um componente não provoque automaticamente a indisponibilidade do outro.

Por isso, antes de contratar um segundo circuito, não pergunte apenas:

“Qual é a velocidade?”

Pergunte também:

“Por onde esse link chega até minha empresa?”

Essa resposta pode ser muito mais importante para a continuidade da sua operação.

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Sua empresa possui dois links. Mas eles são realmente independentes?

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